Estúdio Musical - PIANO

PIANO

O Piano é um dos meios mais completos de que dispomos para sentirmos a música. Foi ele, entre os instrumentos de música, o que mais se beneficiou do engenho e genialidade dos homens.

O piano moderno teve como seu primeiro antecessor o Monocórdio, muito usado em festins e bacanais na Grécia antiga, Egito, Babilônia e outros países de civilizações milenares, atribui-se o seu invento ao filósofo e cultor das artes, Pitágoras de Samos, nascido no século IV a.C. Uma corda somente era extendida bem tesa, arrancando sons com a ponta dos dedos. Serviu para os estudos matemáticos relativos à altura dos sons e intensidade musical.

Guido D’Arezzo (995-1050) era um monge beneditino que no seu convento dedicava-se ao estudo dos sons e órgãos movidos à ar ou água Desejando fixar as notas em papiros, inventou a pauta com 4 linhas, até hoje usada em cantochão. Facilitou assim o registro dos cantos, sendo chamado ao Vaticano para ampliar o seu método. As 7 notas foram tiradas no Hino Ut queant Laxis, sendo o dó antigo o UT e assim por diante. O seu sistema se aperfeiçoou com o tempo.

Com o desenvolvimento das técnicas utilizadas, os artesãos passaram a fabricar o Dulcimer, Saltibancos, Clavicórdio e outros instrumentos, baseados nos princípios do Monocórdio, acrescentando mais  cordas que eram acionadas com as pontas dos dedos, ou martelinhos de ferro cobertos de pano. Apareceu um teclado que fazia bater os martelinhos nas cordas, arrancando sons exóticos e monocórdicos. Assim, os engenhos se multiplicaram.

Na Itália, imperavam as indústrias de Gerolamo, Zanetti, Jarini, Domenico de Pesavo, Zenti, Mondino, Barro e outros. Na França notabilizou-se o musicista e fabricante Erard nos instrumentos de cordas, passando mais tarde a lançar pianos de sua exclusiva fabricação. Até hoje conhecidos. As composições de Couperin, Rameau, Scarlatti, Haendel, Kuhlau e Bach eram as preferidas e mais executadas pelos artistas dos grandes centros sociais.

Finalmente, Bartolomeo Cristófori, de Pádua, Itália, inventou em 1711 as bases definitivas com o seu PIANOFORTE. Consistia na forma de percutir os martelos nas cordas, de forma uniforme e clara. Foi uma revolução, pois era o Cravo que se transformava num dos instrumentos mais modernos dos séculos XIX e XX. O seu sistema mecânico se impôs e foi adotado por todos os fabricantes do mundo. O primeiro modelo acha-se no Museu de Firenze, na Itália.

Os fabricantes Stein (dos pianos Stenway), Erard em 1825, e Pleyel ,com algumas modificações, aperfeiçoaram o maquinismo, adaptando-o em todos os estilos de piano, tanto vertical, como horizontal. Bem como na PIANOLA, que é automático, que nem gramofone, onde coloca-se um rolo de papel perfurado e o instrumento toca sozinho. É uma das técnicas ainda usadas nos filmes de Hollywood e salões de festas. Após tais inovações criaram-se os pedais.

Os salões chics de Paris, Londres, Roma, Nova Yorque e outras cidades passaram a utilizar os pianos europeus, na sua totalidade. Até nos rincões da África, nos desertos asiáticos, nas estepes russas e faroeste americano, o piano era uma presença constante, até o advento do gramofone por Thomaz A. Edison, nos Estados Unidos. Centenas de marcas apareciam por todo o mundo e os teatros de concertos requisitavam os melhores : Chopin, Lizt, Shumann, Rachmaninoff. Era o piano de 88 notas.

As formas eram variadas, mas o que mais tomava o tempo dos inventores, eram as formas de ressonância com os dedos, dedeiras de couro, unhas de animais, dentes de elefantes, crocodilos, etc… No princípio do século XIV os instrumentos passaram a ser usados nas casas dos nobres e até por saltimbancos e seresteiros ambulantes. Assim apareceu um dos pianos mais refinados com muitos adornos e incrustações de pedras preciosas : o Virginale, aperfeiçoado por Poussin.

Mesmo na época das Cruzadas os instrumentos eram usados e transportados pelos reis, príncipes, artistas que acompanhavam as forças cristãs no oriente.

Cataldo Bove in ”Reportagem Cósmica – Astro 1.984